TORRE_081-150x150Ventura Corporate Towers, no Centro da cidade, teve a primeira de suas duas torres entregue em  2008  e as obras da segunda torre já estão em ritmo acelerado, com previsão de entrega para março de 2010.  A Tishman Speyer, em parceria com a Camargo Correa Desenvolvimento Imobiliário, contratou a CB Richard Ellis, consultoria imobiliária especializada em imóveis comerciais, para oferecer para locação a segunda torre. A primeira foi vendida a um fundo internacional por R$ 500 milhões. Além do BNDES, que ocupa desde junho último cinco andares do prédio, a Petrobras já assinou contrato e deve se mudar ainda no segundo semestre. Estima-se que a segunda torre, em construção, renda mais R$ 500 milhões. O empreendimento quer ser um dos primeiros do Brasil a receber dos EUA a certificação green building, de sustentabilidade ambiental. 

Tishman Speyer e Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário

O Ventura Corporate Towers será constituído por duas torres de escritórios, além de ampla área de conveniência e serviços. Juntos, os dois edifícios totalizam 105 mil metros quadrados de área locável de escritórios e varejo. O complexo de escritórios de alto padrão está localizado na Av. República do Chile, em frente à Catedral Metropolitana e foi o primeiro empreendimento corporativo do Rio a receber a pré-certificação de “edifício verde”, concedida pelo U.S. Green Building Council, dos Estados Unidos, seguindo o sistema LEED (Leadership in Energy and Environmental Design.

Para obter a certificação, o Ventura preenche uma série de requisitos que têm início na fase de projetos e construção e continuam durante a operação do empreendimento. O complexo de escritórios está sendo certificado pelo capítulo Core and Shell, tipo de construção que permite grande flexibilidade dos espaços internos e que constitui uma tendência entre os modernos edifícios corporativos ao redor do mundo, por atender às diferentes necessidades das empresas globalizadas. 

Sustentabilidade do local: o objetivo é prevenir a ocorrência de problemas como erosão, poeira e poluição durante a obra. Inclui, ainda, um plano de controle da destinação de lixo/entulho, reciclagem de materiais e retenção e reuso das águas pluviais. Nesse quesito, contam pontos para o projeto aspectos como a escolha de local urbanizado, com alta densidade demográfica e infra-estrutura para a construção do empreendimento, que também será beneficiado pelas excelentes opções de transporte público. Uma vez em funcionamento, o Ventura também contará com vagas preferenciais para veículos elétricos ou que utilizam combustível alternativo como o etanol.

Eficiência do uso da água: tem o objetivo de reduzir o consumo de água em até 30%, com a utilização de equipamentos modernos, como torneiras com sensores de pressão nos sanitários, entre outros. Além de valorizar o empreendimento e promover ganhos ambientais expressivos, esse item contribui com a economia da operação do complexo.

Energia e atmosfera: quando em funcionamento, o Ventura atenderá a norma norte-americana ASHREA/IESNA 90.1, que estabelece o nível máximo de consumo aceitável para um empreendimento desse tipo nos Estados Unidos. A utilização de vidros especiais na fachada dos edifícios reduzirá a troca de temperatura entre os ambientes externo e interno, otimizando o uso do ar-condicionado, que responde por 50% da energia consumida em um empreendimento desse porte. Essa racionalização passa também pela filtragem do ar externo e o monitoramento dos níveis de gás carbônico nos ambientes internos, levando a trocas menos freqüentes do ar dos escritórios, sem comprometer a qualidade mínima exigida pela legislação. Um sistema inteligente de Antecipação de Destino de Chamada (ADC) possibilitará que, ao passar o crachá na catraca, o usuário/visitante tenha a indicação imediata do elevador que deverá tomar para chegar ao andar de destino, permitindo ganho de 15% de eficiência pelos equipamentos. O controle/sensoreamento da  iluminação, o uso de reatores e lâmpadas de alta tecnologia completam a lista de itens que permitirão economia de energia por todo o complexo.

Materiais e Recursos: em atendimento aos requisitos nessa área, o Ventura utilizará 30% de materiais recicláveis na obra (o mínimo estabelecido é 10%). Toda a madeira será certificada, originária de manejo sustentável ou reflorestamento, seguindo as normas do Forest Stewardship Council (FSC). Além disso, 40% dos insumos e materiais utilizados na obra serão originários de empresas localizadas no máximo a 800 quilômetros, contribuindo para o desenvolvimento regional. Todo o entulho gerado será coletado e receberá destinação adequada, de acordo com as normas ambientais vigentes.

Qualidade do Ar Interno: nesse aspecto, a proibição do fumo no interior do complexo pode parecer um item básico. No caso de um greenbuilding, no entanto, essa restrição se estende até oito metros de distância de qualquer uma das entradas do empreendimento. Durante a construção, os dutos do ar-condicionado são protegidos, para evitar qualquer acúmulo de poeira e outros poluentes em seu interior. O projeto dos andares, amplos e sem colunas intermediárias, permitirá que entre 75% e 90% dos ocupantes dos escritórios tenham vista para o exterior do prédio.

Inovação e Processo de Projeto: o reuso da água da chuva para lavagem de áreas externas e manutenção do paisagismo é um dos principais tópicos desse aspecto. Antes disso, no entanto, as obras do Ventura superam os índices mínimos estabelecidos pelas normas do LEED. O complexo utilizará 100% de madeira reciclada, o dobro do que é determinado pelo instituto norte-americano. Os 40% de materiais regionais, por sua vez, também alcançarão um índice duas vezes maior do que os 20% mínimos exigidos. No caso de itens recicláveis em geral, a construção do empreendimento empregará 30%, quando deveria utilizar pelo menos 10% desse tipo de insumo.