Felix Richter já lançou diversos livros com suas elogiadas fotografias, dois destes dedicados à Amazônia e ao Pantanal, lugares que inspiraram seu primeiro romance: “Tem um louco solto na Amazônia”, com lançamento marcado para o dia 28 de janeiro, na Livraria da Travessa, em Ipanema.
Jornalista e fotógrafo Felix Richter, escreve seu primeiro romance e desmistifica a Amazônia e a relação entre o desmatamento e a inércia da sociedade
A preservação da Amazônia é a questão central do livro. “Todo mundo sabe dos problemas climáticos e ambientais, mas pouco se faz. Eis que surge um louco. Ele ataca todos que desmatam a floresta, reduzindo, em poucas semanas, o desmatamento na Amazônia a um patamar ínfimo”, explica na ficção, Richter. Surge então um herói a moda antiga, protetor de árvores indefesas e empecilho aos diversos interesses políticos e financeiros relacionados à Amazônia.
O romance de Richter desmistifica a Amazônia. O autor descreve uma terra onde as leis federais são, em grande parte, ignoradas, enquanto costumes e influências regionais ditam as regras de convivo nas isoladas cidades ribeirinhas. A ausência do Estado, garimpos ilegais, desmatamentos, prostituição, pistoleiros e a corrupção compõem o lado obscuro da trama, enquanto o jornalismo de denúncia, índios, indivíduos engajados e alguns poucos ideais solitários representam a esperança de preservação da floresta. E… Qualquer semelhança com a realidade é meramente coincidência.
HISTÓRIA
A história se inicia com um piloto que desaparece após um sequestro de avião na região da Amazônia. O Governo brasileiro dá o piloto como morto, mas, após alguns meses, recebe a informação sigilosa que o piloto foi deixado com vida em uma pista de pouso abandonada no meio da Floresta da Amazônia, podendo, portanto, estar vivo. Temendo a repercussão negativa do assunto, o Presidente do Brasil decide abafar a informação, e não faz qualquer busca pelo piloto na floresta. Na opinião do Governo, a essa altura, o piloto já estaria morto.
Porém, uma colunista social entra na trama. Ela recebe a mesma informação confidencial e divulga a notícia no jornal, iniciando uma queda de braço com o governo federal, que se recusa a assumir a falha e iniciar as buscas pelo piloto.
O piloto, por sua vez, perdido na Floresta da Amazônia, aprende a sobreviver na selva. Passa por situações perigosas, desde a perseguição por uma onça, à falta de alimento e água, até ser aprisionado por garimpeiros criminosos. Aos poucos, o piloto aprende os segredos ocultos da selva e começa a combater o desmatamento da floresta – aparentemente, tem um louco solto na Amazônia. Mas o autor já explica na primeira frase do livro: “louco é aquele que perdeu tudo, menos a razão”.
A história também explora os paralelos entre a ditadura militar brasileira, após o golpe de 1964, e o que o autor considera a ditadura da corrupção. Em certo trecho um personagem (ex-militante) afirma: “Hoje vivemos a ditadura da corrupção. (…) Durante a ditadura, os militares autorizavam o desmatamento, e pronto, era direto e sem rodeios. Hoje, a madeireira dá dinheiro pro fiscal, que repassa pro secretário, que tem acordo com o governador, que é aliado do ministro. Nos baixos escalões, a moeda da corrupção é o dinheiro, já no topo da pirâmide, o que vale são os acordos eleitorais. No final das contas, o efeito é o mesmo, e a floresta é quem paga o preço.”
O AUTOR
Nascido em 1975, no Rio de Janeiro, Felix Richter é formado em jornalismo. Fotógrafo profissional, tem diversos livros de fotografia publicados, sendo dois sobre a Amazônia. “Tem um louco solto na Amazônia” é o primeiro romance de Richter a chegar às livrarias. Em 2008, ele publicou o livro “Lições de um Brasil Selvagem” em que retrata a Amazônia e o Pantanal através de reflexões, lançando a semente para o atual romance. Desde 2003, Richter se dedica, principalmente, à fotografia de arte.