DavidA expansão dos empreendimentos sustentáveis é hoje uma realidade. Cada vez mais, os prédios verdes se apresentam como uma aposta para o mercado imobiliário do Rio. Os cariocas em geral têm um engajamento político e ecológico expressivo, até por morarem em uma cidade que tem belezas naturais a perder de vista. Isso se refletirá em alguns anos em hábitos de consumo mais sustentáveis.

 

Existem no Brasil 119 projetos de edifícios pleiteando certificados de sustentáveis e no Rio são 13, sendo a maioria empreendimentos comerciais. Olhando do ponto de vista do número de empreendimentos, pode parecer que o impacto da certificação é pequeno e não responde na mesma proporção dos efeitos da construção civil no meio ambiente.  No entanto, a mobilização do setor já representa uma grande vitória.

A sustentabilidade tem relação direta com a economia. Mas essa relação ainda é obscura para os consumidores. Em geral, tende-se a pensar que um prédio verde é muito caro. Mas o fato é que o encarecimento só existe na construção, que pode custar apenas de 5% a 10% a mais que o valor de um prédio sem qualidades sustentáveis. E isso varia de acordo com o grau de sofisticação. Placas solares, por exemplo são mais caras que o telhado verde.

Porém, somente com a adoção de práticas sustentáveis de conservação e uso racional no setor da construção civil já é possível reduzir entre 30% e 40% o consumo de energia e de água. Ou seja, há uma grande economia de custo de uso e operacional após a entrada em operação do prédio, o que reduz consideravelmente até o valor dos condomínios.

À primeira vista essa relação entre construção civil, mercado imobiliário e conceitos de sustentabilidade não parece tão óbvia.

Porém, a construção ecológica é viável, lucrativa e geradora de diferenciais de venda. Isso tudo é possível preservando o meio ambiente e a  qualidade de vida para a geração de agora e do futuro. 

A qualidade ecológica de um imóvel já é diferencial de venda no mercado imobiliário. Dados do GBC Brasil mostram que em dez anos um imóvel sustentável pode ter uma valorização 20% maior do que os empreendimentos convencionais em uma mesma região.

É importante ressaltar que uma cidade com boa qualidade de vida e IDH alto não é necessariamente uma cidade sustentável. Já uma cidade sustentável implica sim em boa qualidade de vida e desenvolvimento humano. Para alcançar o status de sustentável é imprescindível uma mudança cultural do poder público, da sociedade civil e das empresas privadas. O que falta é uma visão sistêmica da sustentabilidade, com foco no setor da construção civil e suas inter-relações com a indústria de materiais de construção, o setor financeiro, o governo e a sociedade civil.

Para os empreendimentos verdes deslancharem duas coisas são necessárias: conscientização pública e mudança de cultura. Em geral, os empresários do setor já se mobilizam nesse sentido. Mas faltam políticas públicas de incentivo a esse tipo de construção, que poderiam se dar a partir da redução das taxas de impostos para quem faz obras desse tipo.

A ADEMI, que é associada ao GBC Brasil – membro do World Green Building Council, entidade que representa e promove o sistema de certificação LEED -, tem o objetivo de estimular o setor da construção a utilizar práticas mais sustentáveis. Em agosto, a entidade promoverá na sede da associação o curso “Estruturação Imobiliária Aplicada”, com uma palestra sobre o tema “Sustentabilidade nas construções – Arquitetura Ecoeficente”.

David Cardeman, consultor de Desenvolvimento Urbano da ADEMI