Cryopraxis

Laboratório brasileiro desenvolve pesquisa com células-tronco presentes no leite materno para tratamento de diversas doenças

Pesquisa realizada por especialistas da Cryopraxis, pioneira na coleta, processamento e armazenamento das células de sangue do cordão umbilical, mostra que células-tronco do leite materno podem ajudar na reconstrução de músculos, cartilagens, ossos e neurônios
Rio de Janeiro – Nos últimos três anos, pesquisadores brasileiros da empresa Cryopraxis, no Rio de Janeiro, trabalharam para padronizar a expansão de células-tronco, presentes no leite materno. Estas células haviam sido descritas por pesquisadores australianos, em 2007. Entretanto, o número de células presente no leite materno é muito reduzido, o que exige sua expansão em laboratório.  Além de isolar as células-tronco, a equipe da Cryopraxis conseguiu aumentar a quantidade sem que elas perdessem suas características. Concluída esta etapa, os estudos partem agora para a realização dos testes de segurança em animais, e, em seguida, para os testes em humanos.  Uma vez aprovada pelos órgãos reguladores, o procedimento desenvolvido no laboratório carioca será disponibilizado para diferentes finalidades, tais como: regenerar músculos, cartilagens, ossos, pele e até tecido neural.

“As células-tronco encontradas no leite materno podem ser utilizadas em importantes procedimentos terapêuticos, mas não substituem aquelas encontradas na medula óssea ou sangue de cordão umbilical para a regeneração da medula óssea, por exemplo, nas leucemias, linfomas e neuroblastomas”, esclarece Janaína Machado, Mestre em Ciências Morfológicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e responsável pela condução da pesquisa.  A Cryopraxis foi pioneira na criação de um banco de armazenamento de sangue de cordão umbilical e na utilização das células-tronco provenientes da medula óssea para a utilização em terapia celular.

“As células-tronco possibilitam a regeneração de músculos, cartilagem, ossos, pele e até de tecido neural. A técnica será útil, por exemplo, no tratamento de ulcerações causadas por diabetes, no tratamento de doenças neurodegenerativas, na produção de pele como curativo biológico. Até no esporte, poderemos ver benefícios. Jogadores de futebol, por exemplo, conseguirão tratar lesões musculares graves em menos tempo”, acrescenta Maria Helena Nicola, consultora científica da pesquisa, bióloga especializada em Imunologia, Mestre em Bioquímica e PhD em Ciências Morfológicas pela UFRJ.

Células-tronco

Existem poucas fontes de onde se obtêm grandes quantidades de células-tronco: a medula óssea, o sangue de cordão umbilical e, descoberto mais recentemente, o tecido adiposo.  A obtenção das células-tronco para transplante de medula óssea, a mais antiga das técnicas aplicadas, é um procedimento invasivo, com necessidade de punção, para retirada do material. Já o sangue de cordão umbilical, técnica de armazenamento que vem sendo empregada desde 2000, é o tecido com maior quantidade e diversidade de células-tronco, obtido de forma não invasiva. O tecido adiposo por outro lado, além de ser uma técnica invasiva, não possui a diversidade celular presente nas duas outras fontes.  Apenas a medula óssea e o sangue de cordão umbilical contêm células-tronco capazes de regenerar a medula óssea, tecido gelatinoso que preenche a cavidade interna de vários ossos e fabrica hemácias, leucócitos e plaquetas.

Pesquisa

Nos últimos três anos, os cientistas da Cryopraxis selecionaram 30 doadoras de leite, mães de bebês de três dias a um ano e meio de idade. Em uma primeira etapa do estudo, buscou-se padronizar as técnicas de coleta, transporte, processamento e expansão das células. Essa etapa – a de validação da metodologia – é necessária para que se desenvolva um método com reprodutibilidade e segurança. Para a expansão celular foi criada uma tecnologia própria, que já se mostrou eficaz quando comparada às técnicas convencionais de expansão de um modo geral.

Tem início agora o escalonamento para produção maciça de células; transferência da etapa de laboratório para etapa piloto, que envolve aumento significativo do número de células, e os testes em animais, conduzidos junto a institutos cujos processos estejam em consonância com as normas em vigor na Europa e Estados Unidos (respectivamente, EMA (European Medicines Agency) e FDA (Food and Drug Administration)).

Posteriormente aos testes com animais, terá lugar a última etapa da pesquisa, que envolverá a participação de seres humanos.

Sobre a Cryopraxis

A Cryopraxis é uma empresa dedicada à coleta, transporte, processamento, congelamento, armazenamento de longa duração e análises biológicas de células-tronco do sangue do cordão umbilical. A pesquisa foi desenvolvida por uma equipe de dez especialistas no laboratório de P&D da Cryopraxis, no Pólo de Biotecnologia do Rio de Janeiro.


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